Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), constatou que a educação foi a principal responsável por impulsionar a mobilidade social nos últimos anos no Brasil.

Revista Quero

Segundo os resultados, os filhos de pais pobres viram aumentar as suas chances de ter uma renda maior que a dos pais, o que mostra um progresso na mobilidade. 

O estudo foi realizado com base em um quesito especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), incluído em 1996 e em 2014.

Nas duas ocasiões, os entrevistados tiveram que responder, quando tinham 15 anos, qual era a escolaridade e a ocupação dos seus pais. O levantamento mostrou que o maior acesso à educação básica e fundamental teve papel decisivo no bom resultado.

“Desigualdade de oportunidades pode ter muitas métricas, uma das mais usadas é a associação da renda do pai com a renda dos filhos. Por essa medida, o estudo mostra que caiu a desigualdade de oportunidades. Verificamos que a renda dos filhos é cada vez menos parecida com renda dos pais”, detalhou Daniel Duque, responsável pela pesquisa.

E o acesso à educação teve papel preponderante no resultado. Isso porque, segundo o pesquisador, a oferta de vagas no ensino público ampliou-se na década de 1990 em relação a anterior (quando pessoas que nasciam em famílias mais pobres tinham menos oportunidades).

Retorno da educação

Outro fator essencial apontado por Duque foi a queda no “retorno da educação”, que é o quanto de anos de estudo a mais está associado a rendas mais altas. “Quanto menores são os retornos de educação dos filhos com relação ao dos pais, menor será a associação de renda entre eles”, explicou o pesquisador.

Segundo o economista, para continuarmos melhorando é preciso melhorar a qualidade do ensino público, que, conforme ele explica, é inferior ao ensino privado. Depois, é necessário ter políticas públicas para evitar a evasão escolar (principal motivo que afasta jovens de famílias mais pobres das escolas no Ensino Médio e, sobretudo, do Ensino Superior).

por: Quero educação